1. Qualquer postura marxista pressupõe necessariamente o engajamento na derrocada revolucionária do capitalismo; não se trata de aperfeiçoá-lo, humanizá-lo ou, menos ainda, de desenvolvê-lo. O papel dos marxistas é pela superação do sistema, erguendo, sobre suas bases, a nova sociedade.
2. Por isso, é incompatível com o marxismo qualquer visão nacional-desenvolvimentista, que pressupõe uma aliança com setores burgueses "progressistas" da sociedade. Tal filosofia, sinônimo do conciliacionismo de classe mais crasso, se já era equivocada nos anos 40-60, hoje em dia adota caráter absurdo, haja vista a impossibilidade de se falar, hodiernamente, em uma burguesia "nacional", diante da globalização do capital e da inserção das economias nacionais no cenário internacional (o que não impede que haja, pontualmente, contradições entre as diversas burguesias). Ademais, o pensamento nacional-desenvolvimentista, pelos marxistas, significaria a adoção da visão etapista, enxergando a evolução da sociedade (rumo ao socialismo) como um processus mecânico e fatalista:
A formação de uma economia de mercado nas bases previstas pelo nacional-desenvolvimentismo era compreendida pela esquerda como um elemento de maturação das condições necessárias à construção de uma experiência socialista no Brasil. (Apud Bruno J. C. Oliveira, "Os fundamentos de uma derrota: uma análise sobre o nacional-desenvolvimentismo brasileiro", aqui).



