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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A questão líbia


E a crise na Líbia cumpriu uma etapa. Kadafi foi deposto, sob chuva de bombas da OTAN mas também sob protesto, legítimo, das massas líbias (ei, você acredita mesmo que o povo que celebrava na Praça Verde eram todos "agentes pagos do imperialismo"? se bem que dizem que foram cenas "montadas"...). Quando os protestos começaram a eclodir no Maghreb e no Oriente Médio, era evidente que o regime não passaria ileso.

Em março, eu escrevi o texto abaixo para o Diário Liberdade. Reproduzo-o a seguir, inclusive com as mesmas notas.

*

Neste exato momento, as bombas estão cruzando os céus líbios, atingindo, como sói acontecer (principalmente se tratando dos ataques "cirúrgicos" dos ianques), alvos civis e militares indiscriminadamente.

A contagem de mortos já começou e, como sabemos, o Iraque é testemunha, não costuma ser de números modestos. Mas, não esqueçamos: a matança começou antes da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 17/ 01/ 2011 (1). Começou com a repressão, pelo regime de Kadafi, aos "bêbados e drogados".

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Ainda degeneração burocrática


Joycemar Tejo
agosto de 2011

Em post anterior, eu havia tecido algumas considerações sobre o fenômeno da degeneração burocrática que acometeu as experiências socialistas no Leste europeu, a propósito das recentes resoluções do Coletivo Lênin sobre o assunto. Em linhas gerais, sobre o tema eu sustento que: a) a burocracia não é classe, e sim casta (e isso parece ser unânime, ao menos se se seguir efetivamente a posição trotskyana a respeito); b) o socialismo pressupõe dois elementos, a planificação da economia (socializando-a), como aspecto objetivo, e planificação esta sob o comando direto dos trabalhadores, como aspecto subjetivo; c) a ausência de comando direto da classe trabalhadora não retira o caráter socialista de dada experiência (naturalmente, com a condição de que haja a socialização dos meios e dos frutos da produção, isto é, desde que se mantenha o "modo social de distribuição", como diz Ted Grant), mas sim irá caracterizá-la como uma experiência degenerada, incompleta, viciada.

Se, mesmo degenerada, dada experiência ainda é socialista, há por bem que os revolucionários a defendam contra ataques- não só externos, como internos. O inimigo interno, bem entendido, é justamente a casta usurpadora, a burocracia termidoriana -alusão ao Termidor francês, quando do golpe de direita efetuado pelos girondinos- que deve ser derrubada para que o socialismo retome os eixos. Assim, tomando por base a experiência soviética, Trotsky diz que, se é possível em determinados casos frente única com a burocracia contra a restauração capitalista, "a principal tarefa política na URSS continua sendo a derrubada da própria burocracia termidoriana" (in "Programa de Transição"), derrubada esta "por meio de uma insurreição revolucionária dos trabalhadores" (in "The USSR in War", do primoroso "In Defense of Marxism" trotskyano).

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A propósito de mafiosos


Dia desses estava na Saraiva livraria (nada de propaganda aqui), fazendo hora, quando me detive em uma obra em especial: o "Cosa Nostra- a história da máfia siciliana", de John Dickie, cujo tema, claro, é a máfia. Vale a pena, pelo que pude notar da rápida folheada, apesar do preço salgado. Como não podia deixar de ser, logo na introdução é citado o The Godfather de Coppola, traduzido ali literalmente como "O Padrinho". Não podia deixar de ser, pois a arte imita a vida e vice-versa, e quem pretende escrever um bom livro sobre a máfia deve obrigatoriamente citar o melhor filme sobre a máfia.

"A violência é tão fascinante e nossas vidas são tão normais", canta a Legião Urbana em "Baader-meinhof blues". Já falei, neste post, sobre o fascínio que as pessoas têm por emoções fortes -sangrentas, pesadas- mesmo que virtualmente (e, felizmente, virtualmente). Mas a Máfia fascina não só pela violência como também pelo glamour- ao menos a máfia estilizada dos cinemas. Os "homens de honra" elegantemente vestidos, charutos caros e restaurantes de luxo, compartilhando o alto círculo de políticos e autoridades públicas. Aparentemente são empresários normais: mas, no fundo, na calada da noite, o verdadeiro negócio é movimentado.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sobre Estados Operários degenerados


Joycemar Tejo
agosto de 2011

O Coletivo Lênin, organização marxista que reivindica as posições da IV Internacional, disponibilizou em seu blog (neste link) as resoluções que refletem seu acúmulo atual sobre o tema da degeneração burocrática, que acometeu os Estados Operários do Leste Europeu.

Com a autorização deles, reproduzo aqui essas resoluções (em destaque e em negrito), com as minhas considerações, logo abaixo.

a) a burocracia não é uma classe dominante, porque ela tem uma base superestrutural, e não está enraizada nas relações de produção. Por isso mesmo, a longo prazo, o interesse da burocracia é restaurar o capitalismo e se tornar burguesia.

Exato. A burocracia não é "classe", e sim "casta".

Em "Uma vez mais, a URSS e sua defesa", em polêmica com Craipeau, Trotsky diz: "Admitamos por um momento que a burocracia seja uma classe no sentido que este termo tem na sociologia marxista. Neste caso, encontramo-nos perante uma nova forma de sociedade de classe, que não é idêntica nem à sociedade feudal, nem à sociedade capitalista, e que jamais tinha sido prevista pelos teóricos marxistas".

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