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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Desarmamento e pacifismo


Uma coisa facilmente constatável é que o campo de assuntos inseridos no tema "defesa" -armas de fogo, equipamento e estratégia militares etc.- é quase absolutamente tomado pela direita. Assim como nos EUA, da secular National Rifle Associaton, o interesse por esses assuntos parece estar restrito às vozes conservadoras da sociedade. A esquerda (aqui falo em sentido lato), talvez tomada por escrúpulos politicamente corretos, deixa o campo livre e não tem uma posição a respeito, ou, quando tem, é a partir de premissas erradas, o que leva a conclusões igualmente erradas.

A direita, pois, defende o armamento da população. Por isso a esquerda não deve igualmente defender? Ao contrário.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O tabu da prostituição


O dogma só tem razão de ser diante da religião, religião aqui como conjunto de "verdades absolutas" contra as quais não cabe divergência. É porque é e ponto final. Há religiosos em todos os campos, da política à religião propriamente dita (claro). É o reino do pensamento binário, A ou B, isso ou aquilo, como se a vida não comportasse terceiras, quartas e quintas possibilidades distintas. Não há nada mais estranho ao marxismo do que o pensamento binário. A discussão e a colisão de concepções é, como diz Adam Schaff, "a alma da dialética" e, como tal, deve ser respeitada "sobretudo por marxistas". Mais que isso, prossegue Schaff,

é realmente estranho procurar substituir por decretos a busca pela verdade, o que só se pode realizar com luta, em geral com o uso do método de experiência e erro. E com que base? Poderíamos perdoar tal procedimento, em última análise, nos religiosos, mas jamais nos marxistas.

Grifo meu, todos os trechos d'"O Marxismo e o Indivíduo". O burocrata, o religioso, substituem o debate pela canetada, pelo decreto; não o marxista. Dito isso, falaremos aqui de um desses assuntos que têm recebido abordagem binária, a prostituição, que, se nunca saiu de evidência, está ainda mais na crista da onda em razão da "Lei Gabriela Leite", PL 4.211/ 12, projeto de lei de iniciativa de Jean Wyllys do PSOL (teor aqui), buscando regulamentar a atividade dos profissionais do sexo. A própria esquerda aborda o tema de forma rasteira, o que é imperdoável.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Engels e a questão do voto


Joycemar Tejo
abril de 2013

Vejamos o seguinte trecho:

Já podemos contar com 2 1/4 milhões de eleitores. Se isto continuar assim, conquistaremos até ao fim do século a maior parte das camadas médias da sociedade, tanto os pequenos burgueses como os pequenos camponeses, e transformar-nos-emos na força decisiva do país perante a qual todas as outras forças, quer queiram ou não, terão de se inclinar. Manter ininterruptamente este crescimento até que de si mesmo se torne mais forte que o sistema de governo actual, não desgastar em lutas de vanguarda esta força de choque que dia a dia se reforça, mas sim mantê-la intacta até ao dia da decisão, é a nossa principal tarefa (...) A ironia da história universal põe tudo de cabeça para baixo. Nós, os "revolucionários", os "subversivos", prosperamos muito melhor com os meios legais do que com os ilegais e a subversão. Os partidos da ordem, como eles se intitulam, afundam-se com a legalidade que eles próprios criaram.

sábado, 30 de março de 2013

Direitos humanos e fundamentalismo


Continua, até o presente momento, a infâmia que é a presença do pastor Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Tem as costas quentes, a poderosa frente parlamentar evangélica, com seus 70 milhões de votos, conforme seus líderes fazem questão de frisar como chantagem política (ver o post do Lungaretti). O objetivo dos fundamentalistas, ao se aferrarem com unhas e dentes à Comissão, não é outro senão refrear os debates e avanços no campo dos DH's no País. É a raposa tomando conta do galinheiro, é o discurso medieval tomando conta das minorias e reivindicações.

Reparem que falo em fundamentalistas; evito a generalização do termo "evangélicos". Se é verdade que em regra o discurso religioso está tomado de fundamentalismo, essa associação não é decisiva, pois temos religiosos que não só refutam o fundamentalismo como adotam uma posição progressista. Veja-se por exemplo o Hermes Fernandes (aqui) que, sem abrir mão de sua visão teológica, é quase um oásis no oceano obscurantista evangélico brasileiro. O fundamentalista, que tem Marco Feliciano como representante, é de outro estofo: é o "dono da verdade", a qual, por mandato divino, tem o DEVER de impor aos outros. Para o próprio bem dos pecadores, mesmo que não saibam disso. Assim, os sinistros torquemadas do século XXI vão ganhando espaço, nas rádios e tevês, no parlamento e, quem sabe em breve, queimando-nos a todos nas "santas fogueiras de Israel".

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