sábado, 19 de novembro de 2011

Questão de interpretação


Os direitos humanos (ou direitos fundamentais, ou direitos públicos subjetivos etc., haja vista a ausência de consenso sobre o termo) são conquistas da Humanidade que vieram em ciclos, ondas, as quais chamamos dimensões ("gerações", num entendimento já superado). Cada ciclo (dimensão) está relacionado a lutas históricas, em dado momento histórico.

A 1ª dimensão de direitos humanos trouxe as chamadas "liberdades clássicas"- de pensamento, culto, expressão, física também, naturalmente, contra os arbítrios da autoridade. Teve inspiração liberal, sendo gestada nas lutas burguesas contra o Antigo Regime absolutista. A burguesia também foi revolucionária, ora essas: Independência Norte-americana, Revolução Francesa. Ao lado do iluminismo como influência dessa primeira dimensão de direitos, os autores incluem também o cristianismo. Não o cristianismo de final do séc. XVIII, de um clero conservador e apoiador da monarquia absoluta, mas o cristianismo primitivo, emancipador e igualitário, dos primeiros apóstolos. Mas encontro em José Afonso da Silva ("Curso de Direito Constitucional Positivo") uma citação de Pérez Nuño, a lembrar que há "quem afirme que o cristianismo não supôs uma mensagem de liberdade, mas, especialmente, uma aceitação conformista do fato da escravidão humana".

O grifo é meu. Ópio do povo!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Elogio da revolução (pelos 94 anos do Outubro Vermelho)


Escrevi o texto abaixo para o meu antigo blog (aqui). Por sugestão do companheiro Willian Almeida (@waa_3101), reproduzo-o aqui como homenagem aos 94 anos da Revolução Russa (25/ 10/ 1917, conforme o calendário juliano então em voga na Rússia, ou 07/ 11 pelo gregoriano).

Antes, há que se lembrar a profissão de fé nos versos de Maiakovsky: Quando eu/ resumindo o passado/ remexo nos dias de ontem/ procurando o mais vivo/ recordo sempre/ o vinte e cinco de outubro/ o primeiro dia.

*

Perguntam-me se o ser humano é um eterno insatisfeito. A resposta é sim, e o "querer" é justamente inerente à vida, conforme já falamos em outras postagens. Mas, se se pergunta se essa insatisfação será entrave para a sociedade comunista, eu digo não, naturalmente. Se justamente a insatisfação é o que nos faz chegar até ela, enojados que estamos com o velho sistema, com a velha exploração do homem sobre o homem. A classe trabalhadora -hoje, lato sensu: não mais apenas o trabalhador de fábrica, mas todos aqueles que têm sobre si o peso do Capital, todos aqueles, independentemente de origem classista, que odeiam a forma de produção capitalista- se une, um anseio em comum, e promove a revolução social. Também aqui é a vontade que gira a roda.

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