quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Inventário 2011


O tempo é uma convenção humana. Os critérios utilizados para demarcar a passagem de tempo têm origem na natureza -movimentos de rotação, translação, fases da lua etc.- mas foram os homens que fizeram disso marcos para suas vidas. Por exemplo, a cada 365 dias ei-nos comemorando aniversários (e é poético pensar que cada aniversário é uma volta dada em torno do sol) ou fazendo resoluções pra o novo ano que se inicia. Agora, por que precisamos esperar o decurso de 365 dias para, só então, implementarmos mudanças em nossas vidas é realmente um mistério. "Ano que vem farei isso ou serei isso", tal é a fórmula dos acomodados de todo tipo. A palavra é feia mas é esta mesma: procrastinação. Há essa convenção humana que diz que virar a folhinha do calendário, esse simples ato, muda nossas vidas. Mas vem a decepção quando o 01 de janeiro se mostra exatamente igual ao 31 de dezembro.

Mas sigamos a convenção e façamos o balanço do ano que termina. Há uma importância nisso: se a História se repete como farsa, e, mais que isso, se os mortos governam os vivos -é o que nos ensina Marx no "18 Brumário de Luís Bonaparte"- é fundamental, ou no mínimo útil, conhecer o passado. Para que, com vista nele, possamos dar ao futuro outro rumo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Abaixo a poesia cor-de-rosa


Maiakovsky, em "A plenos pulmões", faz a oposição entre os versos "de donzela", digamos assim, e a poesia engajada, politizada, que escrevia. Diz que sacrificou sua verve lírica em prol da revolução comunista -e conclui o poema apresentando ao Comitê Central do futuro não o registro partidário, mas seus versos militantes- assim como, diante do horror nazista, Brecht negligenciou poemas sobre macieiras em flor em prol da denúncia política (como em "Mau tempo para poesia", aqui).

É um questão de compromisso moral. Diante das demandas concretas do cotidiano -guerras e revoluções, lutas e luto, entusiasmo e angústia- seria desrespeitoso, ou ao menos mostra de alienação, voltar-se para outros assuntos que não aqueles colocados na ordem do dia. Como falar de amor se as bombas caem, de namorados se o nazifascismo bate à porta? E eis os poetas assassinando a Musa pelas contingências da vida.

Não se pode exagerar, todavia. A arte tem justamente o poder de aliviar o cotidiado. É um bálsamo. O homem não pode viver sem arte, os "músicos mil vezes milenares" que, com junco, fizeram flautas, como diz Roger Garaudy, mostram que a manifestação artística é inerente ao ser humano. Um mundo sem arte seria um túmulo (já um mundo sem breganejo seria um lugar melhor, mas isso é outra história). Penso que no meio da dor pode caber um pouco de lirismo, e entre tiroteios se pode ter tempo para o sentimento. "Filmes de guerra, canções de amor", como no disco dos Engenheiros do Hawaii. É preciso achar o equilíbrio.

sábado, 19 de novembro de 2011

Questão de interpretação


Os direitos humanos (ou direitos fundamentais, ou direitos públicos subjetivos etc., haja vista a ausência de consenso sobre o termo) são conquistas da Humanidade que vieram em ciclos, ondas, as quais chamamos dimensões ("gerações", num entendimento já superado). Cada ciclo (dimensão) está relacionado a lutas históricas, em dado momento histórico.

A 1ª dimensão de direitos humanos trouxe as chamadas "liberdades clássicas"- de pensamento, culto, expressão, física também, naturalmente, contra os arbítrios da autoridade. Teve inspiração liberal, sendo gestada nas lutas burguesas contra o Antigo Regime absolutista. A burguesia também foi revolucionária, ora essas: Independência Norte-americana, Revolução Francesa. Ao lado do iluminismo como influência dessa primeira dimensão de direitos, os autores incluem também o cristianismo. Não o cristianismo de final do séc. XVIII, de um clero conservador e apoiador da monarquia absoluta, mas o cristianismo primitivo, emancipador e igualitário, dos primeiros apóstolos. Mas encontro em José Afonso da Silva ("Curso de Direito Constitucional Positivo") uma citação de Pérez Nuño, a lembrar que há "quem afirme que o cristianismo não supôs uma mensagem de liberdade, mas, especialmente, uma aceitação conformista do fato da escravidão humana".

O grifo é meu. Ópio do povo!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Elogio da revolução (pelos 94 anos do Outubro Vermelho)


Escrevi o texto abaixo para o meu antigo blog (aqui). Por sugestão do companheiro Willian Almeida (@waa_3101), reproduzo-o aqui como homenagem aos 94 anos da Revolução Russa (25/ 10/ 1917, conforme o calendário juliano então em voga na Rússia, ou 07/ 11 pelo gregoriano).

Antes, há que se lembrar a profissão de fé nos versos de Maiakovsky: Quando eu/ resumindo o passado/ remexo nos dias de ontem/ procurando o mais vivo/ recordo sempre/ o vinte e cinco de outubro/ o primeiro dia.

*

Perguntam-me se o ser humano é um eterno insatisfeito. A resposta é sim, e o "querer" é justamente inerente à vida, conforme já falamos em outras postagens. Mas, se se pergunta se essa insatisfação será entrave para a sociedade comunista, eu digo não, naturalmente. Se justamente a insatisfação é o que nos faz chegar até ela, enojados que estamos com o velho sistema, com a velha exploração do homem sobre o homem. A classe trabalhadora -hoje, lato sensu: não mais apenas o trabalhador de fábrica, mas todos aqueles que têm sobre si o peso do Capital, todos aqueles, independentemente de origem classista, que odeiam a forma de produção capitalista- se une, um anseio em comum, e promove a revolução social. Também aqui é a vontade que gira a roda.

domingo, 30 de outubro de 2011

Anarquistas e a questão do Estado


Tenho falado, como no post sobre James Cannon, que as pessoas (a grande maioria delas) parecem ter a necessidade de um "pai", de algo, uma autoridade, que lhes diga o que fazer, como proceder e, em casos extremos, até como pensar e sentir. Parece algo como uma grande infância espiritual, digamos assim. Ocorre que as gerações se sucedem e a idade adulta não chega. Nascem e morrem crianças- e vão buscar conforto nos "papas" e "pastores", se religiosos, ou nos "guias geniais", nos "grandes timoneiros", nos "pais dos pobres", em termos políticos. O fascismo se alimenta muito disso: o líder fascista é o intérprete da vontade popular (melhor dizendo, é quem diz "o quê" é a própria vontade popular), sendo o povo, assim, incapaz de se autodeterminar, uma mera "ficção teatral" (ver "O fascismo eterno" de Umberto Eco, aqui).

Eu não nutro a menor simpatia por "guias" de qualquer tipo. Muito menos aqueles que o são em nome do socialismo; esquecem que o socialismo é o autogoverno dos trabalhadores, o que pressupõe pessoas autodeterminadas. A ditadura do proletariado é obra da classe em seu conjunto, e não de cabeças "coroadas" e vitalícias. O verdadeiro revolucionário vai recusar seu culto. Lênin é a figura emblemática disso. Quando contrariado dentro do Partido, não apelava à purga ou à vendetta: simplesmente ameaçava demitir-se do Comitê Central e fazer a oposição como militante de base. Mas isso não impediu que, após sua morte, por sincera devoção do povo russo -mas também por oportunismo dos dirigentes- fizessem de Lênin faraó, como no texto de Arthur Conte (aqui).

terça-feira, 25 de outubro de 2011

...then the bird said, "nevermore"


Aquela edição era solene: capa preta de couro e detalhes em dourado. Nas contracapas, a imagem soturna de um cemitério, cruzes e lápides em primeiro plano e uma lua cheia encoberta por nuvens ao fundo. Eu ainda era moleque e apesar de já saber ler aquelas letrinhas miúdas tiravam meu interesse, mas gostava de admirar o livro. Morria de medo, claro. E os títulos? "O gato preto", "Os assassinatos da Rua Morgue", "Nunca aposte sua cabeça com o diabo"... Largava correndo e ia pra perto da família.

Foi só na adolescência que parei realmente para ler Edgar Allan Poe. A mesma edição, aliás; tenho-a até hoje, surrada, é verdade. Foi a tarde em que li "O escaravelho de ouro". Aquele quase-sobrenatural me fascinou, mais ainda quando entraram na história matemática, piratas e...caças ao tesouro! Para acompanhar o raciocínio dos protagonistas, precisei pegar papel e caneta para reproduzir a decodificação dos mapas do Capitão Kidd. Um verdadeiro filme de suspense, que fala ao intelecto. Depois deste vieram os demais contos, devorados um a um, e geralmente -quando o protagonista era Dupin- acompanhados com papel e caneta, para tentar -e só tentar- seguir o narrador na descoberta do enigma.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Divina comédia


Paulo Coelho -não riam- diz que quando o sujeito é ateu mesmo, ateu convicto, não perde tempo com religião, nem para conjecturar e nem mesmo para espezinhar. Portanto, aqueles ateus chatos, aqueles que voltam reiteradamente à carga contra a crença alheia, seriam ateus "confusos", mais querendo convencer a si próprios do que qualquer outra coisa. Parece-me verdade: afinal, quem não acredita, não acredita- e só. Vai encher o saco dos outros com isso por que? É como se ele quisesse se vingar de Deus, bradando que "Ele" não existe, e que quem acredita é idiota; é como a fábula das uvas verdes, o sujeito critica quem acredita porque no fundo queria acreditar também. É dor-de-cotovelo, uma dor-de-corno celestial. "Pai, Pai, por que me abandonaste?" Não acredito mais em você. Tô de mal. É ridículo um ateu atacar Deus. Atacar-se-á o que não existe?

No que me diz respeito, pouco importa a crença de uma pessoa, como critério para avaliar tal pessoa. Conheço estúpidos ateus e religiosos, reacionários ateus e religiosos, revolucionários uns e outros. Também não julgo os motivos que levaram tal pessoa à religião: é coisa de estrito foro íntimo. Uma leitura, uma experiência, a criação familiar, um -por que não?, acredite se quiser- chamado. E ei-la convertida. Se se sente feliz, que seja. Vejo pessoas se tolhendo em prol da religião. Não concordo, mas respeito: a medida deve ser a do próprio bem-estar emocional. O que é sacrifício para um pode ser libertador para outro, veneno pode ser remédio (e vice-versa), o que chamamos liberdade tem acepções diversas.

sábado, 24 de setembro de 2011

Censor, o vilão da história


Os haters caíram de pau em "Lanterna Verde" (Green Lantern, 2011), como se vê aqui. As pessoas com quem conversei partilharam da mesma opinião: o filme é tosco, ruim, podre. Mas, puxa vida, eu gostei. Não sei se meu critério é rebaixado (gosto de filmes, mas não sou cinéfilo, i.e., não sou nem pretendo ser um especialista), ou se o fã de quadrinhos que eu sempre fui jamais poderia desgostar de um filme do Lanterna Verde. Mas gostei e até assistiria de novo.

Pode parecer que eu seja contraditório (e até me identifico com Fernando Pessoa, melhor, Álvaro de Campos, quando na Ode Marítima fala em almas complexas como a minha, como as NOSSAS, Álvaro) mas, enquanto para algumas coisas sou tremendamente exigente, para outras simplesmente deixo fluir. Cool total. E vou explicar por que sou assim: porque espero de algo exatamente o que esse algo pode dar. Ora, se estamos falando de filmes: se quero filme de arte assistirei Fellini, se quero filme-pipoca, assistirei...Lanterna Verde (o próximo da fila é o novo Conan). Ficarei chateado se for atrás de um filme-arte e encontrar um "pipoca" melhorado. Aí os haters teriam razão.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

James Cannon


Nadar contra a corrente é difícil. É tão mais fácil se deixar levar: ser mais um no rebanho, na manada, é muito mais confortável e seguro. Afinal, não exige esforço, não exige trabalho. Vai-se com os outros: falou tá falado, contestar por quê? Penso inclusive que o ser humano tem uma queda por líderes. Freud deve explicar, mas as pessoas parecem precisar de um "pai". Se não colocam isso em termos religiosos, transplantam para os "Guias Geniais" populistas, à direita e à esquerda. Isso é superado conforme se cresça, simbolicamente falando. A criança ao se tornar adulta não precisa do pai lhe dando instruções, a classe trabalhadora organizada não precisa dos "Grandes Timoneiros" lhe dizendo o que e como fazer.

Valorizo quem nada contra a maré. Por princípio prezo a coragem: mas não a coragem do temerário, que não é bem coragem e sim irresponsabilidade. Mas a coragem em cumprir o dever, de fazer aquilo que se reputa correto. Arjuna enfrentou seus medos e pegou o arco, como Krishna o conclamava a fazer no Bhagavad Gita. Era o dharma do guerreiro, explicou Krishna, seu dever. Não se deve temer a consequência do combate, e sim temer a própria fuga do combate. Reparem que o dever é um elemento intrínseco dessa coragem. Há o soldado que combate sob as ordens de seu governo imperialista, e há o miliciano do povo que combate para defender sua família e terra da agressão imperialista. É evidente que apenas esse último pratica o "bom combate".

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Pássaros


Olho no espelho os cabelos brancos e vem aquela cada vez maior sensação de tempo escoando. Talvez seja prematuro dizer isso, mas é impossível não notar o relógio da vida funcionando, o tic-tac inexorável. Muitos, mas muitos cabelos brancos. É o tempo que não retorna, é a certeza de que algo passou e ficou para trás.

É atribuído ao pai da medicina, Hipócrates, o bordão famoso, ars longa vita brevis, a arte é longa e a vida é curta. A pequenez do ciclo terrestre angustia diante da grandiosidade das tarefas que a vida coloca para nós: por mais que vivamos, não daremos conta, não concluíremos. Deixaremos inacabado. Pior se sequer começarmos, e então a angústia chega ao paroxismo.

Escrevendo este post, penso em duas situações que, diferentes que sejam, se encontram. O mote é a literatura: as relacionarei a livros.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A questão líbia


E a crise na Líbia cumpriu uma etapa. Kadafi foi deposto, sob chuva de bombas da OTAN mas também sob protesto, legítimo, das massas líbias (ei, você acredita mesmo que o povo que celebrava na Praça Verde eram todos "agentes pagos do imperialismo"? se bem que dizem que foram cenas "montadas"...). Quando os protestos começaram a eclodir no Maghreb e no Oriente Médio, era evidente que o regime não passaria ileso.

Em março, eu escrevi o texto abaixo para o Diário Liberdade. Reproduzo-o a seguir, inclusive com as mesmas notas.

*

Neste exato momento, as bombas estão cruzando os céus líbios, atingindo, como sói acontecer (principalmente se tratando dos ataques "cirúrgicos" dos ianques), alvos civis e militares indiscriminadamente.

A contagem de mortos já começou e, como sabemos, o Iraque é testemunha, não costuma ser de números modestos. Mas, não esqueçamos: a matança começou antes da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 17/ 01/ 2011 (1). Começou com a repressão, pelo regime de Kadafi, aos "bêbados e drogados".

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Ainda degeneração burocrática


Em post anterior, eu havia tecido algumas considerações sobre o fenômeno da degeneração burocrática que acometeu as experiências socialistas no Leste europeu, a propósito das recentes resoluções do Coletivo Lênin sobre o assunto. Em linhas gerais, sobre o tema eu sustento que: a) a burocracia não é classe, e sim casta (e isso parece ser unânime, ao menos se se seguir efetivamente a posição trotskyana a respeito); b) o socialismo pressupõe dois elementos, a planificação da economia (socializando-a), como aspecto objetivo, e planificação esta sob o comando direto dos trabalhadores, como aspecto subjetivo; c) a ausência de comando direto da classe trabalhadora não retira o caráter socialista de dada experiência (naturalmente, com a condição de que haja a socialização dos meios e dos frutos da produção, isto é, desde que se mantenha o "modo social de distribuição", como diz Ted Grant), mas sim irá caracterizá-la como uma experiência degenerada, incompleta, viciada.

Se, mesmo degenerada, dada experiência ainda é socialista, há por bem que os revolucionários a defendam contra ataques- não só externos, como internos. O inimigo interno, bem entendido, é justamente a casta usurpadora, a burocracia termidoriana -alusão ao Termidor francês, quando do golpe de direita efetuado pelos girondinos- que deve ser derrubada para que o socialismo retome os eixos. Assim, tomando por base a experiência soviética, Trotsky diz que, se é possível em determinados casos frente única com a burocracia contra a restauração capitalista, "a principal tarefa política na URSS continua sendo a derrubada da própria burocracia termidoriana" (in "Programa de Transição"), derrubada esta "por meio de uma insurreição revolucionária dos trabalhadores" (in "The USSR in War", do primoroso "In Defense of Marxism" trotskyano).

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A propósito de mafiosos


Dia desses estava na Saraiva livraria (nada de propaganda aqui), fazendo hora, quando me detive em uma obra em especial: o "Cosa Nostra- a história da máfia siciliana", de John Dickie, cujo tema, claro, é a máfia. Vale a pena, pelo que pude notar da rápida folheada, apesar do preço salgado. Como não podia deixar de ser, logo na introdução é citado o The Godfather de Coppola, traduzido ali literalmente como "O Padrinho". Não podia deixar de ser, pois a arte imita a vida e vice-versa, e quem pretende escrever um bom livro sobre a máfia deve obrigatoriamente citar o melhor filme sobre a máfia.

"A violência é tão fascinante e nossas vidas são tão normais", canta a Legião Urbana em "Baader-meinhof blues". Já falei, neste post, sobre o fascínio que as pessoas têm por emoções fortes -sangrentas, pesadas- mesmo que virtualmente (e, felizmente, virtualmente). Mas a Máfia fascina não só pela violência como também pelo glamour- ao menos a máfia estilizada dos cinemas. Os "homens de honra" elegantemente vestidos, charutos caros e restaurantes de luxo, compartilhando o alto círculo de políticos e autoridades públicas. Aparentemente são empresários normais: mas, no fundo, na calada da noite, o verdadeiro negócio é movimentado.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sobre Estados Operários degenerados


O Coletivo Lênin, organização marxista que reivindica as posições da IV Internacional, disponibilizou em seu blog (neste link) as resoluções que refletem seu acúmulo atual sobre o tema da degeneração burocrática, que acometeu os Estados Operários do Leste Europeu.

Com a autorização deles, reproduzo aqui essas resoluções (em destaque e em negrito), com as minhas considerações, logo abaixo.

a) a burocracia não é uma classe dominante, porque ela tem uma base superestrutural, e não está enraizada nas relações de produção. Por isso mesmo, a longo prazo, o interesse da burocracia é restaurar o capitalismo e se tornar burguesia.

Exato. A burocracia não é "classe", e sim "casta".

Em "Uma vez mais, a URSS e sua defesa", em polêmica com Craipeau, Trotsky diz: "Admitamos por um momento que a burocracia seja uma classe no sentido que este termo tem na sociologia marxista. Neste caso, encontramo-nos perante uma nova forma de sociedade de classe, que não é idêntica nem à sociedade feudal, nem à sociedade capitalista, e que jamais tinha sido prevista pelos teóricos marxistas".

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sobre zoológicos


Centro Cultural do Instituto dos Advogados Brasileiros. Naquela tarde, enquanto aguardo a reunião da Comissão de Direitos Sociais começar, contemplo o riquíssimo acervo. Como já falei sobre meu amor pelos livros, não é preciso explicar, textualmente, como um ambiente desse tipo mexe comigo. Basta dizer que é daquelas bibliotecas que fazem a cabeça girar: temos lá não só o "Corpus Juris Civilis" de Justiniano como o "L'esprit des lois" de Montesquieu- passando por todos os campos da ciência jurídica, e o todos não é exagero. Livros vetustos, solenes, em papel envelhecido, a poeira dos séculos acumulada neles. Detenho-me em uma coleção em especial, grossos volumes de capa verde-musgo. Retiro um deles da prateleira: é uma coletânea de artigos de diversos ramos. Coordenadores, Clóvis Beviláqua -uma das mentes por trás do Código Civil de 1916- e Eduardo Espínola. O ano: 1943. Folheio a obra reverencialmente, fosse uma bíblia. Será que fala sobre a questão penitenciária? Não propriamente, mas há um texto sobre execução penal. Como seriam as condições carcerárias em 43? Não muito melhores que hoje, presumo...

Por que estou com a questão carcerária na cabeça? Porque recentemente li um texto de Ana Paula de Barcellos, "Violência urbana, condições das prisões e dignidade humana" (Revista de Direito Administrativo, maio - agosto/ 2010, FGV). De forma precisa, nos limites estreitos do artigo, dá um panorama geral da situação nos presídios brasileiros. Não é apenas a superlotação que choca, nem a doença ou o uso da latrina à vista dos outros, latrina esta que recebe um balde d'água uma vez por dia. Choca não apenas a cela a 50º nos dias de calor. Choca as detentas serem obrigadas a usar miolo de pão como absorvente íntimo.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Impermanência (a vida como efêmera)


"Não há mal que sempre dure", como é mesmo o ditado? Alguns recorrem à religião -não vou falar aqui em religião mas classificarei o post sob esta etiqueta, até por falta de uma melhor, já que classificar como "Filosofia" me pareceu pretensioso- mas a mim, o método dialético, que como marxista utilizo, me protege contra o desespero. Porque o desespero se dá diante da situação insuportável que não podemos mudar e, ao contrário, entendo que não há situações que não possam mudar. A vida é uma eterna construção. "Tudo flui" (panta rei), como diz o longínquo Heráclito de Éfeso em V a. C., a ele se juntando, séculos depois, a voz de Karl Marx, que botou Hegel de cabeça para baixo: da Terra para o Céu e não o contrário.

Há uma marcha em curso. Talvez não graças ao Espírito, como presumem os idealistas (sem carga pejorativa, e sim epistemológica), mas graças ao nosso trabalho cotidiano, humano, concreto. O Homem é o agente da História, e nesse processo transforma o mundo e a si mesmo.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mudando a face do mundo (pelo livro)


Tenho cometido um pequeno pecado: estou comprando mais livros do que posso ler. Acontece que é mais forte do que eu, é uma coisa tipo Van Gogh, que disse "tenho uma paixão mais ou menos irresistível pelos livros" (carta a Théo, junho de 1880). Bota irresistível nisso: a livraria para mim é tentadora, e a Feira do Livro já é a própria perdição. Vincent prossegue: "...e preciso me instruir continuamente, estudar, se você quiser, assim como preciso comer meu pão". O problema é encontrar tempo para a digestão. Na época de Van Gogh era mais fácil: já nossa vida pós-moderna não nos deixa lá muito tempo para a leitura. Dos diversos tipos de "alimentação", a do espírito geralmente fica por último.

Logo, a "fila" vai crescendo e também isso nos dá ansiedade. Somos uma pilha de nervos: até os livros por ler nos deixam nervosos. Se bem que o filósofo Alain de Bottom, na Cult deste mês (a que tem o Slavoj Zizek na capa), diz que

a humanidade é muito ansiosa porque nossa sobrevivência, em grande medida, é baseada na preocupação. Os ancestrais calmos que acaso tivemos morreram muito tempo atrás; aqueles que sobreviveram foram os nervosos. Descendemos de pessoas que se preocupavam com a maior parte das coisas.

Ok, culpa dos genes.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ao mestre, com carinho


Gostaria de estar com o gorro, mas ela não me deixou trazer: não gostava dele, me dava uma aparência de marginal, segundo dizia. O jeito foi encarar o frio de blusa de flanela apenas, mãos apertadas no bolso, após embarcá-la no ônibus para o trabalho. É a sina dos profissionais de educação da rede pública, acordar antes do galo cantar e embarcar, sonolentos, em ônibus pelas madrugadas geladas. Após colocá-la no veículo, tomei o rumo de casa, ruas desertas conforme me afasto da Central do Brasil, o frio glacial a ponto de esfumaçar a respiração. Já na minha rua ainda estava escuro, e naquela penumbra arborizada da Rua Paula Matos me senti caminhando pelas matas do próprio Lago Walden. Enfim chego, o lar, para dormir mais um pouco; mas para os professores da rede pública já começava o dia, turmas superlotadas de crianças, péssimas condições de trabalho- e muito assédio moral.

Eu tenho um respeito, às raias da veneração, pela profissão de professor. Ensinar uma pessoa a ler é nada mais nada menos que lhe abrir os olhos para o mundo. Tipo, dar asas. Bonito pensar que tudo que li até aqui -das leituras mais herméticas, dos mais variados campos do conhecimento, ao meu gibi do Demolidor- teve origem, lá atrás, nos métodos da Tia Rosita, na classe de alfabetização no Colégio Planck-Einstein em Copacabana. Aquela senhora -já era senhora na época- tem sua presença, marcada indelevelmente, em toda minha atividade, não só intelectual mas consciente. Do "'a' faz a abelhinha" chegamos a Robert Alexy.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O horror, o horror


É um truísmo, mas o ser humano é contraditório. Um masoquista, por exemplo: sentir prazer onde os demais sentiriam dor é no mínimo inusitado. Gostar de rúcula é outra coisa que não entendo, idem torcer para o Botafogo ou para o São Paulo (não, não é bullying, HC). Não faço aqui nenhum juízo de valor: apenas constato o quanto, dentro de toda sua complexidade, o ser humano nos surpreende, fugindo do usual. Aliás, caso faça um juízo de valor, será justamente para expressar minha satisfação, minha alegria, com todo esse pluralismo. É bom que haja masoquistas: é bom que haja pessoas que tirem prazer de onde outras não tirariam. Se todos gostassem de rúcula, que seria da alface?

Filmes de terror se inserem nesse contexto. Reparem: terror. Você vai ao cinema ou aluga o DVD (ou compra no pirata) para sentir...terror. Não é para suspirar apaixonadamente nem para gargalhar, muito menos para refletir sobre a vida; e sim para sentir medo.

Mas isso não é incrível?

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Animais urbanos


Tenho falado por aí -Twitter, Facebook etc.- sobre um livro que estou lendo, "Walden" de Henry David Thoreau. Como qualquer pessoa, sou assim: quando algo me agrada, quero partilhar com o mundo. É mesquinho guardar um tesouro só para si (isso mesmo, avareza é pecado capital, amigo). Thoreau não é novidade para mim: em 2006, dediquei uma das primeiras postagens do meu antigo blog a ele. Mas pegar "Walden" (um livrinho fácil, encontrado em qualquer banca de jornal, edição da L&PM) é uma alegria enorme.

Sinto inveja de Thoreau. Nem que seja na pura fantasia. Construir com as próprias mãos uma cabana às margens de um lago, no começo da primavera, quando o degelo ainda está no início...Isso tem um efeito inexplicável sobre um sujeito urbano como eu, morador de uma cidade quente e caótica. É um chamado à SIMPLICIDADE, em maiúsculas mesmo, uma vida simples e singela- e mais verdadeira.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Insistindo: tortura não é anistiável (apesar do STF)


Não costumo julgar ninguém. E acho que ninguém deveria: uma das lições bíblicas mais certeiras (sim, elas existem) é aquela sobre como costumamos "ver o cisco no olho alheio e não ver a trave no nosso próprio". Como acredito muito na individualidade (e como marxista, não poderia ser diferente), penso que não se pode, com acerto, saber o que determinada pessoa sentiu em dada situação; no máximo, podemos conjeturar, imaginar, filosofar. Mas "cada um sabe onde lhe aperta o sapato", de modo que, de fora, é muito fácil dizer como fulano deveria ter falado ou agido. Difícil é estar no lugar do fulano.

Por exemplo, não condeno os presos políticos da ditadura militar brasileira que, sob tortura, delataram companheiros. Seria fácil, aqui da minha cadeira defronte ao computador, falar o quanto foram covardes, frouxos, vis, traidores etc. Mas só quem passou pela situação sabe. Apenas posso imaginar quais efeitos choques elétricos no saco e unhas arrancadas a alicate teriam sobre mim, mas jamais saber, exatamente, o que é passar por isso. Então não recrimino os torturados delatores. Eu próprio não sei qual seria meu limite. É muito cômodo bradar aqui em segurança, "covardes, traidores", mas...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Lições de cinema


Um exemplo comum, para mim, de humor involuntário (aquele que dá vontade de rir quando quer passar por sério), é a famosa cena de "discurso pré-batalha" nos filmes. Os exércitos em formação -sejam medievais, cavalaria, tropas estelares etc.- e vem o comandante com aqueles inspirados discursos, falando geralmente em "honra", "coragem", "liberdade". Em regra é algo tão meloso, tão piegas, que acabo rindo aqui comigo, enquanto os valentes soldados cerram os dentes ouvindo a arenga do general.

Isso me veio de novo à mente na última semana, quando revi 300 e Coração Valente (este, pela quinquelhésima vez; sou fã mesmo). De certo modo, creio que sempre houve discursos ufanistas pré-batalha. Na "Ilíada" vemos reiteradamente Heitor chamando ao combate, mas eram rápidas admoestações, sem um pingo de pieguice (tirando a parte em que ele diz que "lutar pela pátria é o único dever", ou coisa do tipo), assim como na "Eneida" me lembro de um discurso de Turno animando seus soldados- dizendo algo como, "ei, vamos mostrar pros troianos que desta vez eles estão enfrentando algo pior que os gregos", sendo retribuído -isso Virgílio não fala, mas podemos presumir- com aqueles "uhu!" animados da soldadesca. Contudo, repito: nada piegas como nos cinemas.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

2012? O mundo vai acabar em maio, mesmo


Passo pelo Largo da Carioca e recebo o papel. Só vejo do que se trata alguns metros depois, quando o leio enquanto espero o sinal abrir: é uma profecia apocalíptica, embasada numa série de cálculos numerológicos extraídos da Bíblia. Segundo a mesma, o mundo vai acabar em 21 de maio de 2011. Eu sei: dá vontade de rir. Por outro lado, isso coloca-nos uma pulga atrás da orelha. Não pelo medo do apocalipse (que viria em boa hora, dada a quantidade de contas a vencer no mês que vem), mas intrigados por haver quem, de fato, leve isso a sério.

Pego o panfleto. Vejo que há 722.500 dias entre 1º de abril de 33, que seria o dia da crucificação de Cristo, até 21 de maio de 2011 ("o dia em que o plano de salvação de Deus será completado e todos os cristãos verdadeiros serão arrebatados até o céu", sic). 722.500, por sua vez, é 5 x 10 x 17 x 5 x 10 x 17, sendo que o 5 significa a expiação ou redenção, o 10 (ou 100, que é 10 x 10) a perfeição e 17 significa, simplesmente, "Céu". Após toda essa matemática, o texto conclui com um desafio: "Na verdade, em face a todas essas informações surpreendentes, como alguém ousa disputar com a Bíblia em relação à verdade absoluta que o início do Dia do Julgamento junto com o arrebatamento acontecerá no dia 21 de maio de 2011?".

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Liberdade de expressão e seus limites


Jair Bolsonaro metido, de novo, em polêmicas. Causa espanto o baixo nível do Legislativo brasileiro (do Legislativo?, não, da vida política brasileira em geral). Perto de declarações homofóbicas e racistas, a eleição de um Tiririca parece até mesmo inocente e irrelevante. Mas Bolsonaro e Tiririca acabam sendo, em um certo sentido, sintomas da mesma sociedade: alienada. Não há adjetivo melhor.

Mas vejam bem: não quero compará-los. O palhaço-cantor é inofensivo perto do militar fascista. Ao menos um é declaradamente palhaço.

Falam em "liberdade de expressão". Como marxista, e portanto libertário, sou o primeiro a defendê-la. Repudio qualquer tentativa de cerceá-la, e critico abertamente as experiências autoritárias que, em nome do marxismo, apenas fizeram por vilipendiá-lo. Não se pode se propor o combate às alienações justamente alienando o indivíduo- em nome do Estado, do Partido, ou o que quer que seja. Se, segundo Marx, o socialismo é um mundo onde o homem se sente em casa (usando as palavras de Fromm), não se pode conceber um socialismo onde o indivíduo não pense por si só. Caso contrário, será sempre um estranho, um intruso- e não o proprietário de fato e de direito desse mundo.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Limpem, mas do jeito certo


Uma das diferenças entre um sistema ditatorial e outro democrático, mesmo que uma democracia liberal-burguesa capenga, é que neste último há garantias que impedem que o Estado aja como bem entender. Lembro de minhas aulas de Introdução ao Direito, milênios atrás (ok, estou exagerando, séculos): o professor frisava que a constituição existia para proteger o cidadão. É mais que isso, mas esse papel existe sim, e é preponderante. O Estado Democrático de Direito (relativo que seja) tem todo um arcabouço garantista, contra arbitrariedades. O Estado não pode tomar minhas parcas economias por tomar. O delegado não pode me mandar para cadeia por não ir com a minha cara. A polícia não pode me bater apenas por...

Tudo bem, me refiro à teoria. No papel é assim. E já é alguma coisa.

Estou falando isso a propósito da recente decisão do Supremo Tribunal Federal, sobre a Lei da Ficha Limpa. Fux, o novo ministro (substituindo Eros Grau), resolveu o impasse e desempatou: a lei não vale para as eleições de 2010. Reparem, o STF não derrubou a lei, apenas declarou que seus efeitos só se aplicam para as eleições futuras. Era o que deveria ter sido feito desde o início: uma saída tão óbvia que não justificava a celeuma.

sábado, 19 de março de 2011

Bravura- indômita, mas chata


Até o presente momento, Kadafi não caiu- como até recuperou terreno, cercando Benghazi, a "capital" rebelde. E acaba que a ONU autorizou ataque à Líbia, como se vê aqui. Isso é mau. Penso que é melhor Kadafi no poder a uma invasão imperialista como se deu no Iraque ou no Afeganistão, mas, sem dúvidas, penso que é melhor ainda o povo líbio no poder. Digo isso porque os binários, com sua mentalidade "A ou B" (desprezando o C, D, E etc.), acham que ser alvo dos ianques necessariamente faz de alguém -ditador ou regime- heroi. E assim déspotas vêm granjeando apoio dessa esquerda recuada, senil, triste.

Triste me deixou Bravura indômita. Não pelo filme em si, mas pela decepção- eu esperava mais dessa nova produção dos irmão Coen. Não que eu conheça toda sua filmografia, mas quem saiu fascinado com "Onde os fracos não têm vez", como eu, esperava algo maior. E com ansiedade, desde que vi os traillers do filme. "Ilusão treda!" (imitando Augusto dos Anjos). Sinceramente, cheguei a cochilar no cinema, sem exagero. Não é só o protagonista, Jeff Bridges, semi-bufão, não é só o outro mocinho, Matt Damon, risível: é o absurdo de uma menina de 14 anos em meio a xerifes e pistoleiros, caçadores de recompensas e o escambau, atrás do assassino de seu pai. E sem titubear, sem vacilar em nenhum momento. Não há o menor senso de verossimilhança. Não sei se o filme original (pois se trata de uma refilmagem) é melhor; pior, não pode.

segunda-feira, 14 de março de 2011

O prazer de (re)começar


Brecht tem um poema no qual ele alude ao "prazer de começar". Dá vários exemplos: a alvorada anunciando um novo dia, a primeira grama, a primeira página de um livro esperado. O primeiro ruído do motor que pega! E por aí vai. Eu sou um desses, como Brecht, que gosta da sensação de início- aquela de ter toda uma estrada à frente, toda uma página em branco diante de si. Como percorrer essa estrada, não importa, como cobriremos a página é indiferente. O prazer está no percurso, e menos na chegada, parafraseando Isaac Asimov.

O prazer de começar, para mim, neste exato momento, coloco neste novo blog. O "Elogio da Dialética" estava saturado. Foram mais de quatros anos- a vontade de me voltar à tabula rasa foi inevitável. Esse foi um dos motivos. Outro, foi o pouquíssimo retorno nos últimos posts. Caí em contradição com algo que escrevera, um post, romântico e idealista, agora percebo, poucos meses depois- dizendo sobre como quantidade de leitores é irrelevante, e o que é preciso mesmo é escrever. Continuo achando, e sempre acharei, que escrever só traz benefícios para quem escreve. Só por isso é válido. Mas falar com as paredes é pouco estimulante. Pode ser que também este novo blog seja presa do marasmo, mas acho válido tentar. Com esta "Nova Dialética", quero justamente fugir do onanismo intelectual (isto é, a solidão) que marcou os últimos tempos do "Elogio da Dialética". Não se faz, afinal, dialética sem a opinião alheia. Da tese para antítese; quem sabe assim não chegaremos à síntese?

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