sábado, 30 de março de 2013

Direitos humanos e fundamentalismo


Continua, até o presente momento, a infâmia que é a presença do pastor Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Tem as costas quentes, a poderosa frente parlamentar evangélica, com seus 70 milhões de votos, conforme seus líderes fazem questão de frisar como chantagem política (ver o post do Lungaretti). O objetivo dos fundamentalistas, ao se aferrarem com unhas e dentes à Comissão, não é outro senão refrear os debates e avanços no campo dos DH's no País. É a raposa tomando conta do galinheiro, é o discurso medieval tomando conta das minorias e reivindicações.

Reparem que falo em fundamentalistas; evito a generalização do termo "evangélicos". Se é verdade que em regra o discurso religioso está tomado de fundamentalismo, essa associação não é decisiva, pois temos religiosos que não só refutam o fundamentalismo como adotam uma posição progressista. Veja-se por exemplo o Hermes Fernandes (aqui) que, sem abrir mão de sua visão teológica, é quase um oásis no oceano obscurantista evangélico brasileiro. O fundamentalista, que tem Marco Feliciano como representante, é de outro estofo: é o "dono da verdade", a qual, por mandato divino, tem o DEVER de impor aos outros. Para o próprio bem dos pecadores, mesmo que não saibam disso. Assim, os sinistros torquemadas do século XXI vão ganhando espaço, nas rádios e tevês, no parlamento e, quem sabe em breve, queimando-nos a todos nas "santas fogueiras de Israel".

segunda-feira, 25 de março de 2013

O ocaso do Orkut


Leio -mas já tinha percebido há muito- sobre a falência do Orkut, essa outrora grande rede social. A web é pródiga em modismos; os usuários pulam de novidade em novidade, sempre atrás da "próxima grande coisa". O Twitter estava na crista da onda há pouco, por exemplo, hoje vejo que está meio "devagar". O Facebook -que mereceu até filme incensado pela mídia- não fugirá à regra. Eu, como qualquer pessoa, não estou imune ao apelo universal da "novidade", mas tento manter uma visão crítica e, na medida do possível, contramajoritária. Afinal as unanimidades são burras e as novidades são apostas do mercado- não podemos ser títeres disso.

O Orkut -que, claro, também foi uma aposta do mercado, o gigante controverso Google- ainda mantém sua atração para mim. Abri meu perfil em 2005, e desde então fui usuário "fiel". Os atrativos eram muitos: não apenas a possibilidade de travar contato com pessoas não apenas do Brasil como do mundo inteiro, como também a riqueza na diversidade de suas comunidades de discussão. Esse era definitivamente o maior atrativo para mim. Não posso lembrar, evidentemente, a quantidade e teor de todos os debates "virtuais" dos quais participei, mas há reminiscências que não perdem a força.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Minha filosofia - II


Na ausência de um "sentido" metafísico, de um "plano" divino para nossas vidas, é muito fácil cair no desespero. Sem uma rede de segurança, somos obrigados a, antes de tudo, compreender e aceitar a realidade para, então, transformá-la (se possível). O materialismo aqui, afinal, deve ser o dialético de Marx, revolucionário, e não o materialismo -às raias, que contradição, do idealismo- contemplativo de Feuerbach. Essa nova abordagem leva a uma postura diferente diante da vida. Consiste nisto: se não há recompensas post mortem, se tudo se exaure com a morte (o ser humano sendo único e irrepetível, como diz Adam Schaff ; uma vez morto, nada nunca mais lhe será idêntico), temos que simplesmente não vale a pena esquentarmos a cabeça

O desespero dá lugar à serenidade. É questão apenas de mudar o foco.

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