Joycemar Tejo
agosto de 2011
Em post anterior, eu havia tecido algumas considerações sobre o fenômeno da degeneração burocrática que acometeu as experiências socialistas no Leste europeu, a propósito das recentes resoluções do Coletivo Lênin sobre o assunto. Em linhas gerais, sobre o tema eu sustento que: a) a burocracia não é classe, e sim casta (e isso parece ser unânime, ao menos se se seguir efetivamente a posição trotskyana a respeito); b) o socialismo pressupõe dois elementos, a planificação da economia (socializando-a), como aspecto objetivo, e planificação esta sob o comando direto dos trabalhadores, como aspecto subjetivo; c) a ausência de comando direto da classe trabalhadora não retira o caráter socialista de dada experiência (naturalmente, com a condição de que haja a socialização dos meios e dos frutos da produção, isto é, desde que se mantenha o "modo social de distribuição", como diz Ted Grant), mas sim irá caracterizá-la como uma experiência degenerada, incompleta, viciada.
Se, mesmo degenerada, dada experiência ainda é socialista, há por bem que os revolucionários a defendam contra ataques- não só externos, como internos. O inimigo interno, bem entendido, é justamente a casta usurpadora, a burocracia termidoriana -alusão ao Termidor francês, quando do golpe de direita efetuado pelos girondinos- que deve ser derrubada para que o socialismo retome os eixos. Assim, tomando por base a experiência soviética, Trotsky diz que, se é possível em determinados casos frente única com a burocracia contra a restauração capitalista, "a principal tarefa política na URSS continua sendo a derrubada da própria burocracia termidoriana" (in "Programa de Transição"), derrubada esta "por meio de uma insurreição revolucionária dos trabalhadores" (in "The USSR in War", do primoroso "In Defense of Marxism" trotskyano).



